(Celso Alvares [quem?]
- 15/08/2006)
O Governador Alckmin já mostrou a sua cara. Não foi homem o suficiente para defender o governo Fernando Henrique quando esse foi citado. Fez de conta que não existe PCC e que nós, em São Paulo, temos a melhor segurança pública do mundo.
A Heloísa Helena, que tem coragem e caráter invejáveis, caiu no mesmo erro dos velhos políticos centenários: a de fazer promessas impossíveis: "Eu vou assentar 1 milhão de famílias por ano, eu vou fazer a reforma agrária!" (como se o orçamento para isso não precisasse ser aprovado pelo congresso); "Eu vou derrubar a taxa de juros pela metade para não ficar dividindo a riqueza do Brasil com alguns poucos especuladores" (como se esses não pudessem promover uma retirada em massa dos recursos investidos no Brasil e, dessa forma, desestabilizarem completamente a nossa economia).
Talvez, o único discurso claro tenha vindo de uma pessoa apagada como líder. O ex-Ministro do Governo Lula, Sr. Cristóvam Buarque. Ele realmente conseguiu isolar a única solução para o nosso futuro: a educação.
Infelizmente, a educação é solução para médio e longo prazo e o eleitor quer sonhar com uma vida melhor agora.
Seu grande erro foi reduzir todos os problemas a um denominador comum: a educação. Isso é verdade, temos de ter uma revolução nesse sentido. A educação é mais importante que a saúde (pois um povo educado sabe prevenir doenças e torna-se mais sadio, um povo ignorante e saudável são meros burros de carga).
Mas é uma pena que a educação, mais uma vez, seja usada apenas como bandeira política e que nenhum candidato tenha mostrado um projeto sério para dirimir essa dívida histórica que o Brasil tem com os seus filhos.
Diante do quadro que nos encontramos, será muito difícil o bolsa-família do Lula perder as eleições.
Depende de nós, que temos discernimento suficiente para julgar o que está acontecendo, mudarmos isso.
Faça política, converse com outros a respeito, converse com os seus funcionários, pais, empregados, com a moça do balcão.
Não vamos deixar que essa laia que se implantou no poder permaneça por mais quatro anos.
Depende de nós!!!
Comentário sobre o Debate
Presidencial, em resposta ao texto "Sobre o
Debate da Band"
De Alba Tengnom
(Tradutora [Inglês e Espanhol => Português] e Professora)
Também assisti ao debate dos candidatos à
Presidência da República, como faço em todas as oportunidades.
Concordo quase que inteiramente com seus pontos de vista em relação a todos os
candidatos.
Digo "quase", porque para mim o mais decepcionante é ouvir as pessoas dizerem
que não vão votar em um candidato porque ele não tem chances de ganhar
eleição, especialmente no caso do Cristóvam Buarque, que não é um homem
qualquer, mas sim, um louco, no ótimo sentido dessa palavra: louco por
educação, por cultura, por conhecimento. O ex-reitor da UNB não é um homem
qualquer, ele tem brio, e muito conhecimento, sensibilidade, e inteligência,
que são atributos quase totalmente ausentes em quase todas as instâncias
sociais e políticas de nosso país. Basta ver o nível da maioria dos
congressistas! (Somem-se a eles os prefeitos, vereadores, e outros).
O grande engano instituído no país das urnas eletrônicas é a impaciência de
achar que tudo tem que se resolver logo. Há países que lutaram anos para
erradicar o crime organizado de seu núcleo, como a Itália, por exemplo, que
nem pode dizer que solucionou isso de vez. A raiz mais profunda de todos os
nossos problemas, incluindo a violência urbana, é a desigualdade social. E
isso faz com que o PCC (que para muitos nada mais é do que uma empresa bem
sucedida, se considerarmos que funciona e gera empregos a seus membros, além
de protegê-los!) seja uma opção atraente de vida para muita gente. As outras
opções praticamente não existem, ou são muito ruins comparadas ao crime.
Com desigualdade social não quero dizer que a solução está nessa pseudo
distribuição de renda, feita de maneira imoral, pois aleija o ser humano de
qualquer possibilidade de evolução (se sou pobre e recebo ajuda, o melhor é
continuar pobre). Os programas até são interessantes como auxílio temporário,
mas teriam que ser acompanhados de uma evolução na educação. A verdadeira
desigualdade está no fato de que os pobres não tem mecanismo algum para
alterar as suas trajetórias de vida. O único mecanismo é a evolução da
educação para o posto de prioridade nacional e o seu oferecimento para todos
indiscriminadamente.
Caro Celso, sem querer cansá-lo mais com meus comentários, a eleição de
Cristóvam Buarque seria uma vitória da não-política (mas sem ingenuidade) e de
um objetivo que tem que ser comum a todos, independente de partidos ou
interesses, a EDUCAÇÃO. Portanto, proponho uma tentativa de convencer as
pessoas (via Internet, por e-mail) de que o candidato Cristóvam Buarque
representa esse desejo de revolução (como disse o excelentíssimo na TV).
Absurdo ou não, os brasileiros nunca acreditaram de fato em revolução, sempre
esperaram soluções quase mágicas, e nossas revoluções sempre foram de cima
para baixo, o que talvez explique porque estamos atrasados em pelo menos 40
anos ou mais (muito mais!) em relação a outros países, que fizeram a revolução
educacional na década de 60 ou antes.
Desculpe-me pelo tom da mensagem, mas também fiquei decepcionada com o debate
no sentido de que parece que todos estão aleijados de algo, falta algo
fundamental nos que querem nos representar, e que vai além da coragem. Talvez,
essa decepção deva ser seguida da consciência de que sem projeto nacional,
nenhuma ação, por mais bem intencionada que seja, terá efeito sobre a evolução
do país.
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