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Salas Virtuais de Bate-papo?

(Celso Alvares [quem?] - 05/11/2006)

 

Talvez nada seja mais característico dos novos tempos do que as salas virtuais de bate-papo. Pessoas de todas as idades e níveis culturais, em um âmbito do tamanho do mundo, conectadas por incontáveis horas, conversando sobre os mais diversos assuntos, em inumeráveis idiomas, utilizando os mais estranhos símbolos para ganharem agilidade na digitação, brincando, paquerando, fechando negócios, surrupiando a lei, falando sobre sexo, pornografia, pedofilia, assuntos científicos, Deus, religião, moral, políticas, atentados terroristas; organizando-se em grupos em prol da paz, ONGs, quadrilhas, grupos armados para os mais tenebrosos fins; enfim, as salas de bate-papo na internet mudaram definitivamente o modo de ser das pessoas incluídas digitalmente.

Muitos trabalhadores, hoje em dia, trabalham em escritórios em seus lares e usam tais salas de bate-papo como o principal meio de contato com seus clientes, principalmente porque, além de não exigirem atenção exclusiva durante os diálogos, o que possibilita que várias conversas simultâneas sejam mantidas de modo fluente, ainda importam numa redução significativa nos custos das chamadas telefônicas, e muitas permitem a manutenção de um registro por escrito de tudo o que foi conversado, um recurso valioso, principalmente nos casos de "disse-não-disse".

Alguns mitos que assustam os pais desde que seus filhos agregaram os "chats" aos videogames, começam a ser estudados por acadêmicos. A Prof.ª Ms. Patrícia Maneschy Duarte da Costa (2005), coordenadora geral de pesquisa da Associação de Ensino Dom Bosco, dedicou seu estudo de mestrado a esse assunto.

Ela diz:

– Quando fiz a pesquisa, meu interesse era descobrir os valores que eram veiculados nas salas de chat, já que todos os adultos tachavam as salas como sendo um lugar perigoso porque só têm sexo, não levam a construção de conhecimento, é só entretenimento. Então, fiz a pesquisa para saber qual era a visão dos jovens sobre isso.

Usando uma metodologia de questionários distribuídos na internet (com baixíssimo retorno) e principalmente em forma de formulários enviados para cinco escolas públicas e particulares, a então mestrando informa que 75% dos jovens que responderam ao questionário alegaram não mudarem de opinião em razão de participarem de tais salas.

Contudo, embora essa conclusão seja alentadora e venha ao encontro do que busca a maioria dos pais, na nossa opinião, esse estudo foi feito de forma muito superficial. Se você distribuir um questionário para os mesmos tipos de sujeitos que participaram da pesquisa supracitada e perguntar sobre se alguma vez já mudaram de opinião por causa da televisão, é provável que o resultado seja semelhante. Na verdade, os jovens não têm maturidade suficiente e nem a imparcialidade necessária para julgarem o efeito que tais salas de bate-papo estão tendo em suas vidas.

Madura e imparcial é a certeza de que o crime singra em tais ambientes com velocidade ímpar. Nunca antes tantas pessoas tiveram acesso à pornografria e à pedofilia em seus próprios lares, sob a baba de seus pais. Nunca antes tantos jovens, de ambos os sexos, das mais tenras idades, ficaram tão pertos da pária mais vil da humanidade, protegidos sob o manto da invisibilidade de pseudônimos, e seduzindo crianças a, até mesmo, utilizarem suas próprias "Web cams" (câmeras de vídeos conectadas ao computador que enviam imagens em tempo real) para veicularem cenas de sua própria nudez na internet.

É muito difícil fazer um estudo científico nessa área, pelos motivos facilmente imagináveis. Contudo, a National Center for Missing & Exploited Children (NCMEC) (1999) financiou o Dr. David Finkelhor, Diretor da Crimes Against Children Research Center na Universidade de Nova Hampshire para promover uma pesquisa, em 1999, sobre a vitimização da juventude pela Internet.

Os resultados obtidos em um universo de 1.501 jovens, de 10 a 17 anos, são alarmantes. Os dados a seguir são referentes ao ano 1998:

Não queremos dizer ao mencionar tal estudo que os jovens devem ficar alienados da internet e, por conseqüência, das salas de bate-papo.

O objetivo é mostrar a importância dos pais estarem alertas com quem seus filhos estão conversando em tais salas, pois, neste mesmo instante, mesmo que de forma virtual, seu filho pode passando grande parte do seu tempo com a escória da humanidade dentro do seu quarto.

Evidentemente, a melhor arma que os pais possuem é a conscientização. Falar abertamente com os filhos sobre tais perigos, aprender a linguaguem utilizada em tais salas, as gírias, instalar filtros de bloqueio a sites com conteúdo perniciosos, programas que registram os movimentos de seus filhos na internet (o site Portal da Família contém sugestões úteis) e, principalmente, estar ciente de que tudo isso pode ser facilmente manipulado para se cometer o "crime perfeito"; é de vital importância para pais conscientes que querem que seus filhos usem a Internet como uma ferramenta para atingirem grandes objetivos no futuro, não que sejam vítimas dela.

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Bibliografia:

EDUCAÇÃO PÚBLICA. Entrevista (2005). Descontruindo mitos sobre internet e comportamento dos jovens. Autor: Léo Silva. Disponível em <http://www.educacaopublica.rj.gov.br/jornal/materia.asp?seq=280>. Acesso em 06 nov 2006.

OFFICE OF JUSTICE PROGRAMS. OVC - Office for Victms of Crime. OVC Bulletin (2005). Internet Crimes Against Children. Youth Internet Safety Survey. Disponível em <http://www.ojp.usdoj.gov/ovc/publications/bulletins/internet_2_2001/internet_2_01_6.html>. Acesso em 06 nov 2006.

 

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