Página Inicial

 Localização

Engenharia

Comentários

Contato

Toque "Quase" do Dia

 

Anarfabeto

(Celso Alvares [quem?] - 18/07/2006)

 

São muitos os tipos de analfabetos:

 

O José que pinta o dedo ao assinar qualquer documento
 

A Joana que junta letras, forma sílabas, algumas palavras e fica feliz quando compreende alguma delas e porque consegue assinar o nome sozinha.
 

O Agenor, letrado, estudou até a oitava série. Lê tudo num embalo. Só fica embaraçado quando encontra palavras do estrangeiro. Não entende muito bem o que é essa tal de globalização, mas deve ser coisa boa, afinal é da Globo.
 

A Silvia, técnica em contabilidade, segundo grau completo. Lê revistas Caras, fotonovelas, sabrinas com uma voracidade terrível. Sabe que tem uma coisa acontecendo lá no Líbano, mas, afinal de contas, onde é o Líbano?
Acha bonita a expressão “analfabetos funcionais” embora os considere umas bestas quadradas. Afinal de contas, por que não estudaram como ela?

 

Agora, o pior analfabeto de todos, é aquele com nível superior que lê, escreve, discursa quando forçado a fazê-lo, mas é vencido pela preguiça e não move uma palha para desenvolver sua capacidade de abstração. Lê e não compreende o que está escrito, não que não tenha capacidade para isso, mas por puro desinteresse e preguiça mental.

 

Esses se enquadram naquilo que Cristo falou: “tem olhos, mas não vêem".

 

E pensar que lá no interior do Brasil, nos rincões onde escola é coisa de luxo, tem muitos "caboclos de pé no chão", que por esforço e gana pessoal, são muito mais avançados intelectualmente do que os referidos universitários.

 

Tais anônimos, que muitas vezes recebem o rótulo de ignorantes devido ao sotaque da terra que reproduzem com orgulho e aos trajes simples impostos pela condição financeira, mostram que o Brasil é uma mina de talentos que ousam aflorar mesmo sem o devido preparo.

 

Em homenagem a esses, reproduzo um texto de Zé da Luz, autor de literatura de cordel do início do século passado, que ao ser censurado pela sua forma "errada" de escrever, em resposta, compôs o texto maravilhoso abaixo.

 

Quem tem olhos, leia! Quem não for analfabeto, compreenda!
 

AI! SE SÊSSE!...
(ZÉ DA LUZ)
 

Se um dia nós se gostasse;
Se um dia nós se queresse;
Se nós dos se impariásse,
Se juntinho nós dois vivesse!
Se juntinho nós dois morasse
Se juntinho nós dois drumisse;
Se juntinho nós dois morresse!
Se pro céu nós assubisse?
Mas porém, se acontecesse
qui São Pêdo não abrisse
as portas do céu e fosse,
te dizê quarqué toulíce?
E se eu me arriminasse
e se tu insistisse,
prá qui eu me arrezorvesse
e a minha faca puxasse,
e o buxo do céu furasse?...
Tarvez qui nós dois ficasse
tarvez qui nós dois caísse
e o céu furado arriasse
e as virge tôdas fugisse!!!

 

Página Inicial

 Localização

Engenharia

Comentários

Contato

Toque "Quase" do Dia

Contador de visitas

Envie suas perguntas e comentários para  webmaster@softword.com.br  ou utilize o formulário de comentários.