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Problema na educação em São Paulo se deve à migração,
diz Serra

Da Redação
Em São Paulo

Publicado em: http://eleicoes.uol.com.br/2006/estados/saopaulo/ultnot/2006/08/16/ult3753u68.jhtm

 
O candidato tucano ao governo de São Paulo, o ex-prefeito da capital José Serra, participou de entrevista ao vivo nesta quarta-feira ao programa SPTV, da TV Globo de São Paulo. Na entrevista, Serra creditou os maus resultados da educação no Estado aos "migrantes" e se esquivou da pergunta sobre sua permanência no governo de São Paulo até o fim do mandato caso seja eleito em outubro.

Questionado sobre o mau desempenho do Estado de São Paulo em avaliações nacionais de educação, o tucano creditou os maus resultados aos migrantes que vêm para o Estado. "Diferentemente dos Estados do Sul [que foram os primeiros colocados na avaliação], São Paulo tem muita migração. Muita gente que continua chegando... Este é um problema", afirmou. São Paulo tem uma grande população de migrantes nordestinos, especialmente na capital.

Segundo a avaliação Prova Brasil, realizada pelo Ministério da Educação no fim do ano passado, a 4ª série da rede de ensino da Prefeitura de São Paulo está entre as sete piores do país, quando comparada com a das demais capitais. Com média 160,42 em português e 166,86 em matemática, os alunos das escolas municipais da capital não alcançaram a metade do total de pontos possíveis nas provas (350).

Sobre sua permanência no Palácio dos Bandeirantes caso seja eleito, o tucano tergiversou. "2010 está muito longe, nem você sabe onde você vai estar. Eu vou trabalhar bastante para corresponder à expectativa das pessoas", disse, em resposta ao apresentador Chico Pinheiro. O tucano tem sido acusado de usar as eleições para governador como um possível trampolim para a candidatura à Presidência em 2010.

Os apresentadores Chico Pinheiro e Carla Vilhena abriram a entrevista questionando o tucano sobre sua saída da Prefeitura de São Paulo no início deste ano -- em 2004, Serra assinou documento em cartório afirmando que cumpriria o mandato até o final se fosse eleito. "Naquela época, eu disse totalmente a verdade do que eu pensava. O que houve de lá pra cá foi uma mudança nas circunstâncias", afirmou. O tucano disse que, depois de sua experiência como prefeito, viu que é necessária uma integração maior entre governos municipal e estadual. "O trabalho do Estado é crucial para a prefeitura. Eu achei que poderia ajudar muito mais a população tendo um prefeito parceiro, que é meu sucessor [Gilberto Kassab, do PFL]", disse.

Sobre sua passagem pela prefeitura, Serra afirmou que colocou "a casa em ordem". Os apresentadores do SPTV rebateram, dizendo que ele não cumpriu as promessas de camapanha. "Fizemos mais recapeação e asfaltamento em um ano e meio que as outras prefeituras em 4 anos", rebateu.

José Serra também foi questionado sobre a crise de segurança no Estado, governado pelo PSDB há mais de dez anos. "Houve avança na segurança. Quando você resolve um problema, aparece outro, é sempre assim", disse. O tucano afirmou que um dos indícios desse avanço na segurança é o aumento do número de presos nas penitenciárias. "Eu já enfrentei multinacionais na questão dos genéricos. Vou enfretnar o crime ogranizado com toda a disposição", afirmou, referindo-se à sua atuação como ministro da Sáude no governo de Fernando Henrique Cardoso.


Serra voltou a defender a presença de duas professoras por classe na primeira série do ensino fundamental. Questionado sobre a existência de verbas para remunerar essas professoras, o ex-prefeito afirmou que isso não será um "problema".

A entrevista durou sete minutos e foi transmitida para todas as afiliadas da emissora no Estado de São Paulo. A série de entrevistas do programa com os candidatos a governador segue, nesta quinta (170, com Mário Guide (PSB), e Aloízio Mercadante (PT), na sexta (18).


Publicado em: http://eleicoes.uol.com.br/2006/estados/saopaulo/ultnot/2006/08/16/ult3753u68.jhtm

 

 Comentário deste site:

Quando os políticos brasileiros vão aprender a fazerem uma "mea-culpa" dos seus atos. O problema da educação de São Paulo é que o PSDB pegou um projeto maravilhoso, a progressão continuada, aplicou-o de modo torpe, apenas para virar dados estatísticos (..."não há uma criança fora das escolas em São Paulo") e, como toda árvore plantada sem a devida preparação do solo, agora colhe seus frutos amargos, débeis, raquíticos.

Meu sonho é conhecer um político com caráter suficiente para assumir que seu partido errou, que identificou o erro e adotará uma nova linha para que ele não venha a se repetir.

Em vez disso, se o Serra ganhar a eleição, podemos esperar mais quatro (ou oito) anos de incompetência na educação (tentando consertar algo que não tem conserto e muito menos concerto!).

O PSDB tem de pedir desculpas, de joelhos, às milhares de crianças que foram impostas a esse tipo de brutralização intelectual e que, por causa disso, hoje não lutam com as mesmas armas no mercado de trabalho.

Realmente é lastimável!

 

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