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Pergunta do Dia

Toque "Quase" do Dia

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01

"Ir à Argentina" e "Ir para a Argentina" significam a mesma coisa?

Embora, na maioria das vezes, as preposições "a" e "para" tenham empregos semelhantes, com os verbos "ir" e "vir", porém, elas modificam o sentido do verbo.

 

A preposição "a" indica transitoriedade de movimento (assim, se você for à Argentina só para tirar uma foto do Maradona, diga: Eu vou à Argentina!

 

No entanto, a preposição "para" indica permanência ou destino. Então, se após a copa, a sua intenção for consolar o Maradona até que ele se esqueça de que temos o melhor futebol do mundo, diga: Eu vou para a Argentina!

 

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02

Por que a sigla CPFL é escrita com maiúsculas e a sigla Crea não?

Embora, a tendência seja utilizar letras maiúsculas para todas as siglas, existe uma regrinha, pouco conhecida, que regula o assunto:

 

Siglas formadas exclusivamente por consoantes, como CNPJ, CPF, RG, CBF, etc, devem ser grafadas totalmente com caracteres maiúsculos.

 

Aquelas que contêm vogais e, portanto, são pronunciadas como uma palavra, devem apresentar apenas a primeira letra maiúscula: Crea, Sesc, Eletropaulo, Sudene, Fundep, Funabem, Bradesco, Banespa, entre outras.

 

Como toda regra tem exceção, use maiúsculas para as siglas com vogais que contenham até 3 caracteres: ONU, ITA, USP, etc.


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03

Qual é o erro da frase "Pensou não necessitasse de preservativo?"

O erro é de moral e não de gramática, uma vez que o preservativo é sempre necessário. A omissão do "que" na frase ao lado não constitui um erro gramatical, mas um recurso que pode ser utilizado para melhorar a redação do texto. Chama-se "Elisão do Que" e pode ser utilizada com os verbos mandar, requerer, pedir, pensar, parecer.

 

Por exemplo:

- Mandou requeresse os documentos;

- Requereu se validassem seu diploma;

- Pedi concluísse os comentários;

- Pensou necessitasse do regulamento, etc.

 

Esse recurso é muito útil em períodos longos, para evitar a repetição excessiva do "QUE" (queísmo).


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04

Ao ver a derrota do Brasil na copa do mundo, o Parreira disse "este foi o pior jogo a que assisti " ou "esse foi o pior jogo a que assisti "?

Apesar de amplamente confundidos pelas pessoas na linguagem oral e escrita, os pronomes "este" e "esse" têm usos distintos.

O caso ao lado é apenas um exemplo desses.

"Esse" introduz coisas sobre as quais já falamos e, portanto, é de conhecimento mútuo. Hoje, muitas horas depois da derrota do Brasil para França, falamos "Esse jogo foi péssimo!" (é algo que tanto nós quanto nossos interlocutores vivenciamos).

Contudo, antes do apito final, o correto seria falar “Este jogo foi péssimo!”, já que falávamos sobre algo que estava em curso.  

Existem diversas outras regras que regem a utilização de "este" e "esse" e que merecem ser estudadas numa boa gramática.

Siga este bom conselho!

 

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05

A frase -  "Comprei o disco do compositor DE CUJAS as músicas você sempre fala" - está correta?

Todos sabemos que "cujo" é um pronome relativo utilizado em orações subordinadas para retomar um termo da oração anterior.
 

Contudo, muitas vezes nos esquecemos de que, quando o verbo da oração secundária exige uma preposição, ela não pode simplesmente ser deixada de lado, mas deve ser utilizada junto com o pronome  "cujo".

 

Vejas as orações a seguir:

 

"Comprei um disco.  Era o disco do compositor das músicas que você sempre fala."

Podemos substituir essas orações pela construção:

 

"Comprei o disco do compositor DE CUJAS músicas você sempre fala."

 

a) Observe que o verbo da oração secundária, "falar", pede a preposição "de" (falar [de que?]). Isso explica o porquê da frase  "... DE CUJAS músicas..." em vez de   apenas "... CUJAS músicas..." 

 

A preposição não seria utilizada no caso do verbo "FEDER", por exemplo:

 

Comprei o disco com o vendedor CUJA roupa fedia (o verbo "FEDER", nesse caso, não pede complemento [é intransitivo]).  


b) Note também que o pronome CUJO concorda em número e em gênero com o substantivo que lhe segue.

 

Se fosse um livro de poemas, você diria:

 

"Comprei o livro do compositor de CUJO poema você sempre fala" (substantivo: poema, gênero: masculino, número: singular -> CUJO),

 

ou

 

Comprei o livro do compositor de CUJAS poesias você sempre fala (substantivo: poesias, gênero: feminino, número: plural -> CUJAS)."

 

Importante: nunca use uma preposição ou artigo entre o pronome cujo e o substantivo subseqüente.

 

Diga sempre: "A mulher cujo perfume me atraía";

 

em vez de:

 

"A mulher cujo o perfume me atraía". (REGRA MAIS IMPORTANTE DE TODAS: se a mulher em questão estiver acompanhada, é melhor não dizer nada para não ter problemas com o "dito-cujo" .

 

Assim, na questão ao lado, embora a preposição "de" tenha sido corretamente utilizada (fugir [de quem?]), o artigo "a" não deveria estar presente.

 

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06 Se pegar sua namorada no "flaga", você dirá: "Onde você foi com essa saia justa?" ou "Aonde você foi com essa saia justa?" (os cornos são discutíveis, mas a gafe gramatical é imperdoável :0D)

 

Essa é fácil, mas é sempre bom relembrar. Em termos leigos, o advérbio aonde é o "onde de patins".

 

Onde (em que lugar) = permanência.

Aonde (a que lugar) = movimento.

 

Portanto, com verbos estáticos, diga ONDE:

Não sei onde estava a cabeça do Parreira... 

Onde você arrumou esta mancha de batom?

 

Para verbos que indicam movimento, use AONDE:

Aonde você foi com essa lambisgóia?

"Lá vou! Não sei se saberei aonde..."

"Aonde queres que eu vá?"

"Aonde você foi vestida desse jeito?"

 

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07 Qual é o certo: "Era tudo flores" ou "Eram tudo flores"?

Esse é um caso que, na gramática, tem um nome que por si só nem vale a pena mencionar de tão feio que é. Recuso-me a dizer. Não adianta insistir. Vai! digo, mas em tom de xingamento:

 

"TIPOS SINTÁTICOS DIVERGENTES". 

 

Isso significa que determinadas construções admitem variações que podemos livremente utilizar quanto à concordância ("Passará Parreira e Zagalo" = "Passarão Parreira e Zagalo"), quanto à regência ("Esta água não beberei" = "Desta água não beberei");  e quanto à colocação: "Esta é chorosa pátria minha amada" = "Esta é minha chorosa pátria amada").

 

Evidentemente, o bom senso dirá qual a melhor forma a ser adotada (normalmente, a que soa melhor aos ouvidos).

 

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08 Afinal de contas, qual é o uso correto da vírgula?

Facilmente reconhecemos diversos casos em que devemos ou não utilizar a vírgula.

 

Por exemplo, separar o sujeito do verbo ou o verbo do seu complemento é um crime que deveria ser punido com morte (exceto em caso de aposto [normalmente, entre vírgulas]).  Existem várias regras de pontuação e um bom livro de gramática é mais apropriado para abordá-las.

 

Contudo, como toque, há uma definição muito útil:  toda vez que determinado membro da oração repetir o valor sintático do membro anterior, use a vírgula.

 

O Prof. Napoleão Mendes de Almeida explica: "Emprega-se a vírgula entre palavras, membros e orações de idêntica função". Por exemplo, entre vários sujeitos (Roberto Carlos, Ronaldinho Gaúcho, Emerson são...), entre vários objetos (Pedi-lhe que pensasse, que perdoasse, que voltasse), entre várias orações de mesma  função: "Tocou, sorriu, fugiu", e assim por diante.

 

Existe um "causo" muito antigo, e muito conhecido, que ilustra a importância desta matéria.  Dizem que há muitos anos, um rebelde que costumava escrever mensagens contra o rei nos muros do reino,  percebeu que estava cercado pela guarda real enquanto acabava a frase: "Matar o rei não é crime!" Apesar do flagrante, escapou ileso simplesmente porque, astutamente, acrescentou uma vírgula que mudou completamente o sentido da frase: "Matar o rei não, é crime!" 

 

Assim, vale a pena se aprofundar neste assunto.

 

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09 Através desta, quero agradecer seu convite... ou por meio desta quero agradecer seu convite?

Em termos gramaticais, "através" significa "de um lado para o outro".

 

Contudo, os gramáticos ficam "de um lado para o outro" cada vez que ouvem "através" ser utilizado no sentido de "por meio de" (por exemplo, "Consegui a melhor mulher da festa através do meu papo irresistível").

 

Muitos esquecem que a língua é viva e, portanto, neologismos, estrangeirismos, e outros "ismos" mais a afetarão sempre. E mesmo quando a mudança provém de um déficit cultural, com o tempo, o uso a torna válida; e se esse processo não ocorresse, ainda falaríamos "Vossa Mercê" em vez de "Você" ("Vossa Mercê" => "vossemecê" => "vosmecê" => "você") e, provavelmente, nosso idioma seria o latim (pois, a incapacidade de conjugar as diversas declinações latinas com competência foi um dos fatores determinantes para que cada região outrora dominada pelo império romano desenvolvesse seu próprio dialeto que, com o tempo, deu origem aos idiomas latinos da atualidade).

 

Como "regra de polegar" (tradução medíocre do inglês  "rule of thumb"), ao escrever textos em que a gramática culta é exigida, use sempre "através" no sentido de "transversalmente, de lado a lado" e não como "por meio de" (afinal de contas, não sabemos a cartilha adotada pelo receptor da mensagem). Nos demais casos, não seja muito exigente nem consigo mesmo, nem com o seu interlocutor.

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Comentários do leitor:

(...) Sou tradutor e morro de raiva quando vejo as legendas de filmes absurdamente mal traduzidas e as notícias dos jornais idem. A título de cooperação ofereço "regra de polegar" por "regra prática". Tudo bem? Afinal, do alto (ou do baixo?) dos meus 78 anos muito bem e movimentadamente vividos, dou-me o prazer destas "ofertas".
Luiz Cavalcanti de Albuquerque, Tradutor, 78 anos

 

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10 Tem certeza de que está ao par do que acontece em Brasília?

Sinto-lhe informar que nesse aspecto específico, você não está "a par" e muito menos "ao par"!

 

Embora a confusão seja comum, "ao par" significa equivalência entre valores cambiais ou financeiros:

 

Por exemplo:

 

O real está ao par do euro (AHAHAHAH, essa foi boa, AHAHAAHAH).

 

Estar "a par" é aquilo que o marido chifrudo nunca está (inteirado do que está acontecendo.

 

Então, para memorizar:

 

Apesar de ostentar "o par" de chifres com galhardia, não estava "a par" dos pulinhos da patroa!

 

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11

Meu erro foi chegar no trabalho atrasado!

Meu caro amigo desempregado, temo informar que você cometeu dois erros:

 

o primeiro foi não usar aquela desculpinha básica do pneu furado (e passar as mãos nas borrachas para tornar a história crível);

 

o segundo, e mais grave, foi usar a preposição errada.

 

 Chegar é verbo de movimento e, a exemplo do verbo ir, exige a preposição "a" nesse caso.

 

Assim como ninguém reside à rua tal, mas na rua tal, ninguém chega ou vai em algum lugar, mas a algum lugar.

 

Não esqueça:

 

residir, morar em algum lugar;

chegar, ir a algum lugar

 

Portanto, na próxima vez, não tem problema se chegar atrasado ao trabalho, desde que tenha em mente uma desculpa fantástica (xiiii! temo ter contribuído para a perda da credibilidade da história do pneu furado).


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12 Quando em plena era digital, empresas que se orgulham de fazer publicidade de seu avanço tecnológico exigem uma cópia dos seus documentos, você chega ao balcão daquela papelaria cheia de badulaques batendo na sua cabeça e pede para fazer uma xérox (chérocs) ou uma xerox (cherócs)???

Esta é uma questão que, evidentemente, não deve incomodar "nórdestinos"!

 

A marca comercial é Xerox (oxítona, cherócs) e, a exemplo de Durex, quando a novidade foi lançada no Brasil, acabou associada ao produto (aliás, isso prega algumas peças nas diferentes culturas. Por exemplo, o brasileiro, em Portugal, leva um susto danado ao descobrir que "a cachopa não tira sua cueca sem ver o durex primeiro" [em "brasilês": a moça não tira sua calcinha sem ver a camisinha [lá, durex] primeiro).

 

Os gramáticos discutem e se digladiam a respeito.

 

 Há aqueles que defendem xérox (chérocs) alegando que todos os dissílabos portugueses terminados em x são paroxítonos (por exemplo, cóccix, índex, ônix, entre outros).

 

Como não sou gramático e nem tenho intenção de sê-lo, recorro à sabedoria do meu saudoso pai, que na sua simplicidade de quem cursou apenas 3 anos de escola, mas conquistou o PHD da vida, e me alfabetizou aos cinco anos de idade usando como método apenas sua própria sagacidade, ditou-me uma regra que vale para todas as ocasiões.

 

Ele dizia: na dúvida, Pinduca, troque por uma certeza!

 

Assim, deixo a vocês decidirem se farão uma xérox ou uma xerox. Eu prefiro fazer uma fotocópia, um neologismo muito bem construído com termos comuns de nosso idioma e que não carrega em si o "merchandize" de nenhuma marca comercial.


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Observação: o conteúdo dos toques não tem a pretensão de abranger todo o âmbito gramatical dos temas propostos. Aliás, a idéia é passar algumas dicas práticas. Procuramos apresentar dúvidas comuns que nos assaltam sempre quando não temos tempo para pesquisar o assunto. Se, por ventura, perceber alguma falha por falta de exatidão ou de completitude, seremos imensamente gratos se formos notificados a respeito. A sua colaboração ou perguntas sempre serão bem-vindas!

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