Beija-flor
(Celso Alvares, Sorocaba, SP, Brasil)

Este ano durou muito tempo;
Uma vida este ano durou.
Aqui dentro, pulsando espreito,
Muitas eras o vento levou.
O que pulsa a cada momento,
A esgana de ser beija-flor
Fagulhando, como luz, um fomento
Ao beijar, em um istmo, a flor.
Meus amigos, eu quero, com beijo;
Isso Elias, um dia, pregou.
Lá importa que face eu vejo:
Ipê-roxo, amarelo ou que cor?
Amizade, qual germe de vida,
Levarei em meu seio aonde for...
Hoje, eu levo, vocês, pela vida,
Mas não vôo como beija-flor!

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A pena apenas
(Valéria Alvares, Sorocaba, SP, Brasil)


A pena apenas me lembra
A chama que é amor.
Que pena que a pena
Só traz a saudade e a dor!


A pena imprime a vida,
Aquela que não foi vivida.
Que pena que a pena
Não faz a saudade vencida!


A pena dá vida à lembrança,
Momentos são revividos.
Que pena que a pena
Não ecoa meus bramidos!


A pena apenas
Restou-me como herança.
Que pena que a pena
Não nos torna apenas criança!


A pena ficará comigo
Inserida em uma cena,
Na minha vida prossigo
Apenas sentido pena!

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Pobres trabalhadores brasileiros!
(Felipe Luiz A Vital, Sorocaba, SP, Brasil)

aos onze anos

Pobres por viverem sob a mira da injustiça, da corrupção. Ingênuos!
Não sabem como se defender
dessa sujeira constante!
Pobres, por viverem na miséria,
na forma mais irrelevante de vida!
Ignorantes!
São enganados facilmente por mentiras
das mais cabeludas,
das mais falsas,
das mais absurdas!
Isso porque não tiveram estudo,
não conseguem enxergar o que ocorre
no seu país, bem na sua frente!
Descrentes da salvação,
Entregues às mãos sujas e cruéis
de quem um dia os libertou!

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Outras Poesias
(Celso Alvares)